Proteção, obediência e autopreservação

Olá galera, tudo bem?

Com a evolução do conhecimento e com a implementação quase que diária de novas tecnologias muito já se pensou sobre como seria o futuro. São famosas as adaptações dessas visões por meio de filmes, animações ou livros, seja de forma otimista seja de forma pessimista.

Um segmento dessas adaptações são aqueles que tratam sobre os robôs. Algo que hoje em dia está cada vez mais próximo de se tornar realidade mas que já está a anos no imaginário popular. Vimos robôs vilões, robôs aliados. Eles como maquinas, calculadoras gigantes ou como uma especie de nova raça, seres inteligentes, fortes e capazes.

E foi através de Lester del Rey e Eando Binder com seus respectivos contos “Helen O’Loy” e “I, Robot” retratando um outro lado dos robôs, com uma visão mais sensível, que Isaac Asimov -que diria eu, é um dos autores mais conhecidos do gênero- teve o incentivo necessário para começar a escrever seu primeiro conto “Robbie” publicado em setembro de 1940 pela Super-Science Stories e posteriormente republicado em 1950 pela Gnome Press em um livro com os outros contos do autor.

Livro esse, de nome Eu, Robô, que hoje trago pra vocês:

Facebook photo

[Fonte: http://www.bibliotecadoterror.com.br/2015/01/resenha-eu-robo-de-isaac-asimov.html]

A minha edição é essa linda, que eu particularmente amei, e foi traduzida pela Aline Storto Pereira da editora Aleph em 2014 e tem cerca de 320 páginas.

Bom gente, como já falei o livro é um livro de contos, mas para minha doce surpresa não era mais um desses livros de contos aleatorios que só possuem um determinado tema em comum. Não, Asimov de maneira muito engenhosa começa o livro com um jornalista falando sobre a Dra. Susan Calvin, uma psicóloga roboticista forte, inteligente e muito perspicaz de 75 anos. Psicologa esta que seria o foco do artigo especial do referido jornalista para a Imprensa Interplanetária e que por meio dessa primeira entrevista e de outras que são postas no decorrer do livro – antes ou depois dos contos- ela discorre sobre inúmeros acontecimentos que rondaram a evolução robótica e que ela mesma pode presenciar de perto seja em partes ou sendo uma das principais personagens ou mesmo histórias que apenas tomou conhecimento e que achou relevantes. E ao mesmo tempo, de conto em conto vamos observando a evolução do mundo como conhecemos para um mundo completamente diferente.

Algo que é possível ter uma ideia com o seguinte trecho da primeira entrevista, que achei muito interessante e gostaria de compartilhar com vocês:

“-Então não se lembra de um mundo sem robôs. Houve um tempo em que o homem enfrentou o universo sozinho e sem amigos. Agora ele tem criaturas para ajuda-lo; criaturas mais fortes que ele próprio, mais fieis, mais úteis e totalmente devotadas a ele. A humanidade não está mais sozinha. Já pensou sobre essa questão desse modo?”

Foi uma fala que permaneceu ali, em todo o momento enquanto eu lia… E de alguma forma realmente me deu um arrepio, e deixou uma pulguinha em mim! Sabe aquele sentimento de expectativa pelo que estava por vir e aquela verdadeira vontade de poder entrar dentro do livro e viver nessa sociedade onde não estamos mais ‘sozinhos’? Realmente foi com essa frase que eu comecei a gostar do livro.

Mas, como eu disse é um livro de contos, mais especificamente, um livro com nove contos. E quais seriam esses contos? Apenas para dar um gostinho, fiz uma pequena sinopse de cada um deles pra dar água na boca de vocês. 😉

O Primeiro conto intitulado de Robbie conta a história de um dos primeiros robôs babá e de uma pequena garotinha, Gloria, que eram amigos inseparáveis, mas que tiveram que enfrentar o preconceito e o medo da sociedade e da Sr.ª Weston, mãe de Gloria, que se preocupava com o que um robô seria capaz de fazer e com uma eventual falha que poderia pôr em risco a pequena menininha.

Andando em círculos, esse segundo conto conta a história de Mike Donovan e Greg Powell em mercúrio. Os dois jovens cientistas foram para uma estação semi-abandonada em mercúrio apenas com um único robô e com uma missão de cuidar do banco de fotocélulas. Sendo que para isso eles precisavam enviar Speed, seu robô, para a importante missão de conseguir a quantidade de selênio necessária para esse conserto. Mas o que fazer se depois de partir para sua missão o robô começa a ter uma resposta curiosa? Se ao invés de ir direto ao seu destino e cumprir sua missão ele começa a andar em círculos em volta de seu local de destino? E ambos os cientistas presos na estação mineradora se deparam com o risco iminente de morrerem cozidos aos poucos se não resolverem essa situação e descobrirem o que aconteceu com Speed, e por conseguinte consertarem as fotocélulas.

aplicao-da-robtica-4-728

[Fonte: http://pt.slideshare.net/mrcspereira/aplicao-da-robtica%5D

Razão traz de volta os dois cientistas robóticos Donovan e Powell, agora na Estação Solar, que acabaram de construir um novo Robô, dotado de uma incrível razão e curiosidade. Esse mesmo robô apresentava curiosidades a respeito de sua origem e avaliava a tudo com sua grande racionalidade, criando suas próprias teorias e aceitando apenas o que condizia com a razão. Mas que consequências essa capacidade pode trazer? O que vai acontecer nessa estação espacial e com nossos dois cientistas?

“-De qualquer forma, é nesse pé que nos encontramos- disse ele.- Então nós trabalhamos com novos modelos de robô. É o nosso trabalho, concordo. Mas me responda uma pergunta. Por que… Por que sempre há algo de errado com eles?

-Porque – respondeu Powell- nós somos amaldiçoados. Vamos!”  É preciso pegar o coelho. Mais um conto, mais um robô com uma curiosa anomalia. E a mesma dúvida: Como essa situação vai ser solucionada?

Mentiroso   Um robô com a incrível falha de poder ler mentes e um grupo de quatro diretores da United States Robots & Mechanical Men, sendo um deles a psicóloga roboticista Susan Calvin, se juntam para tentar desvendar o porquê dessa falha.

O que poderia acontecer quando um robô tem uma de suas leis alterada? E se essa lei for a Primeira Lei? O que fazer quando esse robô sumir e ficar escondido no meio de vários outros robôs idênticos? É com isso que a Dr. Calvin tem que lidar no conto Um Robozinho sumido

Evasão. Uma empresa rival no campo da robótica envia para a US Robots alguns documentos e propõe um acordo com a mesma, na qual requisita a ajuda na solução desses dados -que seriam fundamentais para construção de um motor interestelar. Só que esses dados já foram testados na principal maquina da empresa rival e destruído a mesma. Afinal, qual o real perigo por trás desse acordo e desses dados? O que essa nova tecnologia implica? E quais os riscos enfrentados para a adquirir?

Evidência. Até onde a tecnologia robótica chegou? Seria o famoso advogado Stephen Byerley um robô como sugerido por Frank Quinn? Ou seria essa acusação apenas uma jogada política para desestabilizar o adversário?

Num futuro onde as máquinas, com sua incrível e diríamos perfeita capacidade de análise mais rápida e eficiente que os humanos e de encontrar as melhores respostas, são postas como o centro de toda a política do planeta. Indicando como cada indústria, cada empresa, cada mínimo sistema humano deve seguir para a sobrevivência da humanidade. Começa a surgir algumas anomalias e surge a dúvida: seriam estas anomalias levados por erro mecânico? Seria por algum grupo humano ter sabotado a máquina? Ou algum outro fator? Será que essas anomalias são de fato relevantes? Ou seria exagero?  No último conto do livro, O conflito evitável, nos deparamos com essa situação e a questionamos e repensamos junto com a Dr.Calvin e o ‘coordenador’ -o responsável por gerenciar o planeta, uma espécie de presidente de todo o planeta.

asimov[Fonte:http://www.escrivaninhaliteraria.com/2013/07/eu-robo-livros-vs-filmes.html%5D

Para finalizar esse livro contém um capitulo chamado A história por trás dos romances de robôs que conta como Asimov se interessou por esse gênero e sua trajetória como autor. Ele comenta sobre a criação das leis da robótica, as dificuldades encontradas e mais algumas outras coisinhas.

Agora sobre a minha avaliação do livro: Ele é perfeito. A forma como o autor retrata os robôs, como a história se desenvolve, o suspense, cenas dotadas de muito humor, a caracterização dos personagens… Amei cada pequena parte do livro e tenho que admitir ele foi para meu top 10!

Enquanto lia me deparei inúmeras vezes soltando gargalhadas pra logo depois ficar tensa e curiosa. Instigada. E completamente apaixonada.

Foi o primeiro livro do autor que eu li e estou quase que desesperada para ler mais do mesmo. Podem ter certeza que no futuro ainda falarei muito desse autor e de seus outros livros!

Recomendo demais esse livro para todos os que não leram e para quem já leu releiam, que vale muito a pena!

Então é isso pessoal.

Beijos e até a próxima,

Amy.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s